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15/12/2016 11:23
Atores que começaram carreiras em Bauru contam como fazer teatro
Com um leque de opções profissionais, a arte dá impulso a superações pessoais
Mariana Cerigatto/Especial para o JC
André Mendes

Teatro: uma carreira apenas pra quem quer subir no palco ou se ver na novela? Não necessariamente. Há cada vez mais espaço e opções pra quem se forma como ator. Além dos palcos, as oportunidades surgem em carreiras paralelas ao teatro, como publicidade e propaganda, educação física, docência, produção, cenografia e muitas outras. O teatro, também, tem sido instrumento para evoluir certas habilidades e melhorar diversos aspectos, como a timidez.

É que mostram os ex-alunos que passaram pelas mãos do diretor de teatro e historiador Paulo Neves, em Bauru, e seguiram carreiras diversas.

Diego Dac, 31 anos, começou em Bauru a carreira, em 2003, e hoje vive em São Paulo. Ainda estudou, entre os anos de 2010 e 2011, no Centro de Pesquisa Teatral (CPT), dirigido por Antunes Filho.

Não só trabalha com teatro como ator, mas também como cenógrafo e diretor. Já passou por várias áreas: produtor, técnico e assistente.

“Acredito que todos os estudantes de teatro deveriam conhecer todas essas áreas do teatro pois cada profissional tem seu mérito e a arte nunca se faz só”, comenta Diego, que já esteve envolvido em uma série de peças teatrais, ao lado de nomes como Eric Lenate e Pedro Granato.

Para Diego, há grande número de funções que se pode desempenhar na carreira artística. “Mesmo que uma pessoa não siga o ofício na arte, ela pode usar as habilidades que aprendeu em outras áreas”.

 

‘MUDANÇA BOA’

 

É o caso do ator Roger de Lima Monteiro, 33 anos, que decidiu cursar Educação Física, e desenvolveu o projeto de pesquisa na faculdade sobre o trabalho corporal de atores da cidade de Bauru.


“Sem contar a oportunidade de realizar vários trabalhos na TV, participando de comerciais, minisséries e vinhetas para o canal fechado”, salientou Roger.

“Depois que entrei para o teatro em 2008 não saí mais. Foi uma mudança boa e todos meus projetos profissionais convergiram para a área artística”, acrescentou o ator, que também é bailarino do Centro de Dança Corpo Livre e integrante do Núcleo de Dança Giracorpo.

Mesmo após ter terminado o curso de teatro e apresentado diversas peças, Roger frequentemente desenvolve produções culturais nos eventos produzidos pela Casa de Cultura Celina Neves e atividades artísticas como performances e peças teatrais. Também já até arriscou aulas como professor substituto na área.

 

PLANO PESSOAL

O teatro, além de abrir um leque de opções na carreira, ajuda também a superar obstáculos na vida pessoal, como a timidez. Foi assim que Laís Trovarelli (foto), 24 anos, viu no teatro uma mudança de vida.

“Comecei o curso aos 11 anos. No início, meu maior objetivo era vencer a timidez, mas fui arrebatada logo na primeira peça. Conforme fui crescendo, fui procurar oficinas, quis conhecer outros cursos, estudei dança e canto, assistia a todas as peças que passavam pela cidade”, conta.

Após terminar o ensino médio, Laís se interessou em cursar Artes Cênicas e em 2011 ingressou como aluna na Escola de Comunicação e Artes (ECA), da Universidade de São Paulo (USP).

“Na minha trajetória, passar por uma universidade foi importante. Lá, pude estudar teoria, dramaturgia, história do teatro, direção, poéticas da dança, expressão vocal, cenografia e muitas outras coisas. Também foi um lugar importante para encontrar meus pares, realizar parcerias”, apontou ela, que cursa o segundo ano na Escola de Arte Dramática, também da USP.

Hoje, Laís - que integra a Cia. Noz de Teatro, Dança e Animação e o grupo universitário Lacuna Coletiva - circula como atriz com espetáculos principalmente através de políticas públicas culturais, festivais e instituições como o Sesc. “Também aparecem trabalhos mais pontuais, como performances, oficinas e trabalhos na área de publicidade”. Além disso, ela trabalha como professora em uma escola de teatro - a Teatro Escola Macunaíma.

“Desde que optei profissionalmente pelo teatro, tive a oportunidade de atuar em diferentes funções: como atriz, iluminadora, professora, diretora, mediadora de arte, produtora, bonequeira, oficineira etc.”, descreve. “Se o artista for entregue, apaixonado e curioso, as oportunidades aparecem. Às vezes é preciso ensaiar madrugada adentro, fazer viagens seguidas, não ter rotina clara, se virar porque o cachê foi menor que o esperado, atuar em mais de um trabalho no mesmo dia, estudar muito e estudar de novo”.

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